Derrubem as pedras que fazem os homens
Destruam os pilares que sustentam os totens
De nada vale essa passagem para outra dimensão
De nada, o nada é o campanário de onde se avista a desilusão
Se não se vê de tão distante o mar
Há um olho de vidro e outro de mármore, prontos para flertar
Vai se entalhando as formas como lápides de um jazigo
As pedras que rolam são presságios, todos mórbidos, de uma noite em estado etílico
Desmoronam os primeiros que ousam passar os vales da bela poetisa
Caem os que se aproximam de seus longos cabelos e de sua escrita poderosa
Movem-se pelas sombras grandes sonhadores
Esperando descrever sua volúpia e revelar suas cores
Pobres tolos, não conhecem a tênue e efêmera criatura
Da rocha sai o tronco e da terra o ventre
Aos mortais que perdem suas pedras e, desabam a seus pés, resta ser poeira para sempre
Mas ali existem sobreviventes
Em meio aos escombros
Alguns ficam em pé e tentam ver o que somos
Não entendem de onde caíram...
Nenhum comentário:
Postar um comentário