Navegando sobre o mar de névoa
A caravela dourada afundou
Um paredão imenso partiu-lhe a proa
E do náufrago uma só criatura restou
Em sua visão turva a terra flutuava
Pairava sobre a humanidade
Os portões mágicos revelavam a mais alta morada
O vento descobria a mais pura ingenuidade
O Maremoto de indecisão paralizava o mais breve movimento
Entre a escuridão das nuvens
A névoa espessa escondia o firmamento
Sobre seus pés, vulcões e fuligens
Arrancavam de suas entranhas
Falsas esperanças
Ela não podia ver
Nem saber
Mas lá de baixo
Todos os mortais sabiam que ela existia
Estava pronta para saltar
Do alto da ilha e dos rochedos
E lá nos confins de algum lugar
Alguém a esperava derrotando seus medos
A imensidão do paredão
E os restos da embarcação
Guardavam seus segredos
Do alto a queda
E no chão
Os pedaços da sela
E os cacos da prisão
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Chaves Perdidas
O que você vê ao olhar por de baixo da porta?
A imagem que remonta sua retina
Não é de uma pessoa morta
Tampouco de um sábio expondo sua doutrina
A luz incandescente
O barulho da corrente
E as chaves que caem ao chão
Eram aquelas que abriríam o último grilhão
Veja ainda por debaixo desta porta
percorrendo os corredores escuros
avistam-se prisioneiros obtusos
desgraçados a sorte alguma
na lama da insignificância
As correntes arrastam, perdem-se na bruma
A imagem da derrota faz sua edificância
A imagem que remonta sua retina
Não é de uma pessoa morta
Tampouco de um sábio expondo sua doutrina
A luz incandescente
O barulho da corrente
E as chaves que caem ao chão
Eram aquelas que abriríam o último grilhão
Veja ainda por debaixo desta porta
percorrendo os corredores escuros
avistam-se prisioneiros obtusos
desgraçados a sorte alguma
na lama da insignificância
As correntes arrastam, perdem-se na bruma
A imagem da derrota faz sua edificância
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