terça-feira, 26 de julho de 2011

A Mão e a Pena

A mão fina que conduz a leve pena,
Livre no papel, reproduzindo tão breve cena
Trajetória circular e mutante
Captando vidas desgraçadas que se vão a cada instante
Descrevendo homens e mundos perdidos
Recriando a existência de seres feridos
A tinta abandona o tinteiro
Deslizando sobre o papel seco
O vento cortante derruba a neve do pinheiro
O andarilho na escuridão vaga sem endereço
A pena por de trás dos montes desce ao vale
A escritora, atenta, observa a floresta
Os rios correm até ela feito vinho no cálice
Da janela vê-se indescritível; porém modesta
A pena e o tinteiro dão vida ao seu comando
Destroçam os devaneios descartáveis; aqueles que detesta
Ainda há perfeição no simples toque, mas ela está chorando
Não encontra as palavras para sua jornada
Claustrofóbica, pálida e com ferida exposta
Suas armas são o verso e a espada
Afiada, leve igual à pena, poderosa igual suas palavras
Bela poetisa desmorona seus lamentos
Levantam-se todos os seus tormentos
Mas a mão fina ainda conduz a leve pena
Aos olhos agudos do observador
Ela reproduz cada detalhe de tão rara cena
Escreve sobre seu universo fantástico
Intimista, tímida; algoz e voraz
De espírito livre e sádico
Uma fera noturna que de tudo é capaz
Palavras agudas unem-se com o papel através da tinta
São fragmentos da criatura mágica
Proferem vivas aos egressos das cinzas
As palavras são flechas rumo ao peito do guerreiro desatento
Rasga sua carne em um simples movimento
A mão fina conduzindo a leve pena
Cada frase é um ato desta tão breve cena

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