Entre o silêncio de cada palavra
Há um universo não descrito
Desmedido, incompreendido
Feito a águia a ser libertada
Voar ao seu encontro
Rompendo as amarras
Preso em suas garras
A promessa dos tempos
O ópio das madrugadas
O arquétipo dos venenos
Surgindo pelas encruzilhadas
As criaturas do lago se faziam presentes
E na tônica dos amantes
Nenhuma regra estipulada
Insanos de uma próxima parada
Entorpecidos na tempestade em disparada
Nenhuma palavra
Não era preciso dizer nada
Do alto os olhos de rapina
Observavam a cada esquina
No meio da multidão
Andando feito um cão
E todas as juras perdidas
Indigentes e anônimas
Pairavam sobre a consciência
Mas naquele momento
Não havia obediência
E nenhum simples argumento
À sombra da velha árvore
Retorcida até o chão
Estava a casa do ciclope
Repleta da mais pura solidão
As palavras não tinham materialidade
Nem a ave de rapina perdera sua vitalidade
Mas a criatura havia se retirado
Para longe onde havia um navio destroçado
No lugar em que tudo se havia iniciado
Ali jaziam todas as apatias
As glorias e as lembranças
De tudo que não poderia ter sido
E das coisas que poderiam ter visto
Era o fim para o reinício
Era assim que poderia ter acontecido
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